Seminário discute assistência técnica, extensão rural e agricultura sustentável na Bahia

A problemática em torno da Assistência Técnica e Extensão Rural na Bahia foi tema de debate na quarta-feira, dia 13, durante o ‘Seminário ATER na Bahia: passado, presente e futuro’. Realizado pelo Fórum Baiano de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, que é coordenado pela promotora de Justiça Luciana Khoury, o evento teve o objetivo de discutir a problemática, na busca por uma agricultura sustentável. Participaram das discussões engenheiros agrônomos, técnicos em agropecuária, representantes de entidades ligadas à Agricultura Familiar, movimentos sociais, universidades e órgãos públicos.

Durante a mesa-redonda ‘Agricultura sustentável, um direito de todos!’, Luciana Khoury, ressaltou a importância do fortalecimento da empresa pública regulamentadora com um trabalho que tenha como base as experiências das ONG’s e pequenas organizações que agem no meio rural. Ela frisou a necessidade de intensificar a regularização da garantia de territórios de comunidades quilombolas e indígenas para que a ATER seja devidamente aplicada. “A responsabilidade é com o trabalhador rural que sofre as consequências dessa flexibilização das leis ambientais. Há um desmantelo de acesso aos direitos básicos do trabalhador do campo”, afirma. A promotora de Justiça também destacou a necessidade de um alinhamento nacional entre o FBCA e outros fóruns e destacou o trabalho sociopolítico feito pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Representando o Crea-BA, o engenheiro agrônomo Jonas Dantas ressaltou que o Brasil, enquanto um dos maiores produtores de matéria-prima do mundo, não direciona políticas públicas para os principais agentes do setor, os agricultores familiares. “Nos últimos anos mais de 2,5 milhões de pessoas saíram do campo e migraram para cidades, dentre esses 1 milhão, tem entre 15 e 20 anos. É necessário que sejam criadas políticas públicas voltadas a agricultura familiar pois ela é de importante para preservação do meio ambiente, da manutenção das nossas terras”, registrou.

A superintendente da Bahiater, Célia Watanabe, afirmou que a luta em busca de uma alimentação saudável é antiga e que a Bahia foi um dos primeiros estados a trabalhar em favor da legislação estadual com referência na regulamentação nacional. Ela destacou a importância de as universidades melhorarem a formação profissional e passe a adotar a agroecologia como uma nova visão de mundo, seja no ambiente rural e social. Representando a Articulação Nacional da Agroecologia, Carlos Eduardo Leite, fez uma abordagem em torno do balanço da última década e desafios para o próximo ciclo de ATER. Valdivino Araújo, representante do movimento dos pequenos agricultores, destacou os vícios existentes nas políticas implantadas até aqui, que não impactaram no modelo de produção. “Defendemos a agroecologia e a Reforma Agrária como caminhos para por um fim ao uso do agrotóxico e construir um país mais saudável e justo”. O Fórum Baiano de Agricultura Familiar foi representado pela coordenadora Elisângela Araújo, que criticou a postura do atual governo Federal em não negociar com os movimentos sociais e não avançar na política para o desenvolvimento produtivo. “Foram 12 anos construindo uma política e agora tudo vem sendo desconstruído. Temos muitos desafios pela frente”, frisou.

Com informações e fotos da Ascom/Crea-BA

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