Robótica tem sido nova aliada contra o câncer de próstata

O tumor de próstata é o tipo mais comum entre os homens. E tecnologias associadas a concepção e construção de robôs podem ser melhor opção, dependendo do caso

O câncer da próstata é a segunda neoplasia maligna que mais afeta o homem – exceto câncer de pele não melanoma – atrás apenas do câncer de pulmão, o que mais mata no mundo. E o movimento Novembro Azul vem para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença, tipo que atinge 1 a cada 8 homens no País. O câncer da próstata atingiu 65.840 pessoas em média em 2020, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Todos os anos, a doença tem 75% dos casos registrados em homens com 65 anos ou mais e chega a levar à óbito 15,5 mil brasileiros.

“A doença avançada ou metastática gera sofrimento e está atrelada à perda de qualidade de vida. Sintomas como dores ósseas, fraturas, dificuldade para caminhar, dificuldade para urinar e sangramento urinário podem estar presentes”, enumera o oncologista clínico, Gabriel Felipe Santiago.

As opções de tratamento devem ser definidas de acordo com cada caso e exige o envolvimento de uma equipe multidisciplinar. No entanto, para se ter uma ideia, 71,5% dos brasileiros, mais de 150 milhões de pessoas, não contam com qualquer tipo de serviço de plano de saúde, conforme divulgação do IBGE de 2020. Neste caso, o Sistema Único de Saúde (SUS) realiza a prostatectomia radical, informa Santiago, pois a considera como o tratamento mais eficaz para a doença em estágio inicial ou, mesmo, em casos ainda localmente avançados.

Avanços e tecnologia a favor da saúde do homem

“Nesta opção cirúrgica, a próstata é completamente removida com às vesículas seminais. Porém, o maior receio relacionado a este procedimento é a incontinência urinária e a impotência sexual”, explica o uro-oncologista e cirurgião robótico, André Luiz Nogueira, que opera em hospitais de Goiânia e Brasília. De acordo com o médico, o maior avanço vem acontecendo com a cirurgia robótica, que surgiu em 2001 nos Estados Unidos e está avançando no Brasil, desde 2008, com crescimento estimado em 30% ao ano.

O médico é completamente responsável pelo movimento das pinças, precisando ser habilitado com um treinamento específico para a cirurgia robótica, o que garante a segurança do procedimento. Além disso, o robô oferece uma visão tridimensional do campo operatório, filtro de tremor e instrumentos articulados, que possibilitam maior amplitude de movimentos e grande habilidade em suturas. Desse modo, os médicos conseguem visualizar o local com grande detalhe, o que não seria possível por laparoscopia ou cirurgia tradicional.

O procedimento é indicado em diversos casos, como cirurgias nas áreas da urologia, ginecologia, cardiologia, relacionadas ao aparelho digestivo e em procedimento de tórax. No entanto, ganhou maior expansão nos tratamentos de casos oncológicos.

Realidade no SUS

As cirurgias robóticas já podem ser realizadas pelo SUS em vários hospitais públicos do País, no município de Barretos, por exemplo, todos os tipos de cirurgia robótica podem ser feitas pelo SUS, informa o uro-oncologista Nogueira. Além disso, alguns planos de saúde cobrem de forma total ou parcialmente o procedimento. “É preciso colocar na balança os benefícios que a cirurgia robótica irá trazer, como menor gasto com analgésicos no pós-operatório, menos risco de infecção da ferida e menos tempo de internação”, conta Nogueira.

Sobre o câncer de próstata

Conforme aponta o oncologista clínico Santiago, a doença costuma ser mais comum em pacientes com mais de 50 anos que possuem herança genética, consumam bebidas alcoólicas, fumem, tenham uma alimentação rica em gorduras ou cálcio, ou que estejam acima do peso.

Outros cânceres

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, entre 2020 e 2022, serão diagnosticados no Brasil cerca de 30 mil novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquios, o que representa uma grande demanda para este tipo de cirurgia. Isso porque procedimentos com o mínimo de cortes e invasividade são tendência em todas as áreas, já que a recuperação pode ser mais rápida, com diminuição da dor e melhores resultados funcionais para o paciente.  

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