Home office que ajuda a conservar a floresta amazônica é destaque na Casa Cor Brasília 2020

A matéria-prima 100% renovável do espaço foi totalmente oriunda de Manejo Florestal Sustentável, que promove a conservação da biodiversidade e o sequestro de carbono

Um home office com cara de férias, instalado no jardim, já seria um sonho de consumo para muita gente, nos novos modelos de teletrabalho que vêm se configurando pós-pandemia. Ainda mais, sendo construído em madeira, com projeto assinado pelo arquiteto Roberto Lecomte e pela designer de interiores Sheila Beatriz. Mas o Wood Office Cipem, um dos 37 ambientes da Casa Cor Brasília 2021, tem atraído o olhar dos visitantes da mostra, justamente, pelo que não está à vista: o fato de que sua matéria-prima – madeiras amazônicas oriundas de Manejo Florestal Sustentável – ajuda a conservar a floresta. O espaço tem chancela do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado do Mato Grosso (Cipem), que atesta o caráter ecologicamente correto do produto utilizado e a sua origem. A Casa Cor Brasília 2021 teve início no dia 26 de outubro e prossegue até 12 de dezembro.

Manejo Florestal Sustentável (MFS)é uma atividade econômica de exploração florestalseletiva, na qual apenas são colhidas árvores previamente selecionadas, com a utilização de técnicas de impacto reduzido que reproduzem os mecanismos naturais dos ecossistemas, de forma planejada e sem danificar a biodiversidade existente. Com isto, os serviços ecossistêmicos continuam sendo prestados pela floresta, perpetuando a fauna e a flora, promovendo, ainda, a qualidade de vida e o desenvolvimento da sociedade.

O MFS segue uma legislação específica, que prevê, dentre outros requisitos, o licenciamento e o inventário florestal do local a ser explorado. De acordo com um estudo da Embrapa, em média, apenas 12% dos indivíduos a cada hectare são colhidos, mesmo assim, somente quando as árvores são maduras e possuem diâmetro igual ou superior a 50 centímetros. Após a colheita, inicia-se um longo período de regeneração natural da área, que pode levar de 25 a 35 anos, até que ela possa ser novamente manejada.

De acordo com o presidente do Cipem e engenheiro florestal Rafael Mason, o Manejo Florestal Sustentável nada tem a ver com desmatamento. “É exatamente o contrário: o MFS evita o desmatamento”, afirma. “Em geral, quando alguma atividade econômica, como a produção de alimentos, mineração ou infraestrutura, precisa da utilização do solo, tira-se toda a cobertura vegetal nativa, dentro do que é permitido por lei, de acordo com o bioma.

Sequestro de carbono

Ainda segundo Mason, outra vantagem do Manejo Florestal Sustentável é que ele promove o sequestro de carbono. Isso porque, durante a regeneração natural, após a colheita das árvores selecionadas, as árvores mais novas recebem maior incidência de luz solar e, em consequência, absorvem mais CO2 em seus processos fotossintéticos.

“É importante lembrar que as árvores jovens sequestram mais carbono atmosférico, devido à alta demanda necessária para seu desenvolvimento, porém estocam menos carbono em comparação às árvores maduras, que são capazes de reter grandes volumes de carbono em sua biomassa ao longo do tempo”, além disso, caso a árvore colhida continuasse na floresta, certamente chegaria o momento em que morreria e se tornaria uma fonte de emissão de carbono.

“Quando as árvores maduras são colhidas para uso da madeira, o carbono permanece estocado por tempo indeterminado. Assim, além de o manejo florestal reproduzir um ciclo que já acontece na natureza, porém de forma mais acelerada e racional, ainda evita que o carbono seja devolvido para a atmosfera”, conclui.

Projeto com propósito

O arquiteto Roberto Lecomte é defensor apaixonado da madeira legal e sustentável na construção civil e na decoração. Seu trabalho propõe a madeira como um contraponto à frieza do concreto, característico da arquitetura de Brasília. Além do Cipem, entre seus parceiros, estão ONGs internacionais, como o World Wide Fund fo Nature (WWF), que atua na conservação, investigação e recuperação ambiental.

O projeto do Wood Office Cipem, que assina com a designer de interiores Sheila Beatriz é de construção pré-fabricada, o que possibilita sucessivas montagens, com mínima geração de resíduos, soluções construtivas e ventilação natural e cruzada.

22 de novembro 2021

Imprensa CIPEM

Catarina Guedes – Jornalista

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