Como fica o coração da mulher que passa pelo câncer de mama?

Principais tratamentos usados na luta contra o câncer de mama, como a radioterapia e a quimioterapia, podem afetar a saúde do músculo cardíaco

Receber o diagnóstico de câncer de mama é suficiente para mexer com a rotina da paciente. Acarreta mudanças significativas na vida da mulher, que precisa lidar com questões que fogem à rotina, como os efeitos colaterais de medicamentos. Mas o que poucas mulheres sabem é que os principais tratamentos usados na luta contra a doença, a radioterapia e a quimioterapia, podem afetar a saúde do coração. Está aí um assunto pouco falado e que merece atenção. Preocupação a mais para quem já enfrenta os desgastes do tratamento.

“Os efeitos da radioterapia e da quimioterapia nas mamas podem atingir o coração e gerar arritmia, vasoespasmo coronariano e insuficiência cardíaca”, revela o médico cardiologista Frederico Nacruth. Dependendo dos fármacos empregados no procedimento de combate ao câncer, o paciente pode apresentar efeitos colaterais transitórios ou definitivos. “Além disso, novas drogas sistêmicas e a quimioterapia podem ser tóxicas ao músculo cardíaco”, diz.

“Sabemos que o tratamento é essencial para a cura. No entanto, a alta incidência de doenças cardíacas nesse grupo de mulheres está relacionada à quimioterapia e à radioterapia que podem ter sido utilizadas no tratamento das pacientes”, afirma. Nacruth explica que é como se o coração ficasse mais fraco com o tratamento oncológico. A lesão poderá aparecer durante o tratamento ou até tardiamente, e isso acaba sendo negligenciado. “É por isso que a paciente precisa de acompanhamento também do cardiologista antes, durante e depois da terapia”, adverte.

“A prevalência de pacientes que desenvolvem insuficiência cardíaca, secundária ao uso de quimioterapia como Antraciclinas, gira em torno de 3% a 5%, a depender da dose utilizada”, informa o cardiologista. Esse percentual, segundo Nacruth, se torna expressivo ao considerar um universo de milhares de pacientes que fazem quimioterapia.  “Além disso, essa complicação, por vezes, pode ser grave, podendo levar a paciente ao óbito”, completa. No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2021 é de 66 mil novos diagnósticos e mais de 18 mil mortes. 

Combater o câncer e ao mesmo tempo cuidar da saúde do coração é um trabalho minucioso. Envolve muito conhecimento sobre drogas, tratamentos e seus efeitos tóxicos. “A definição do que fazer deve ser absolutamente personalizada, mas as diretrizes cumprem um papel didático e dão segurança no momento da decisão”, assegura Nacruth, apontando que o mecanismo que combate a célula tumoral é o mesmo que agride o coração. Segundo ele, em cerca de 7% dos pacientes, essas drogas provocam graves problemas cardiovasculares. “A solução proposta é cuidar de todos os fatores de risco cardíaco, manter a pressão arterial abaixo de 13 por 8, recomendar atividade física, dieta equilibrada, controle do colesterol e acompanhamento rigoroso da condição cardiovascular”, conclui.–

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