Barreiras BA- MORTE DE AGENTE DE PRESÍDIO CONTINUA SENDO MISTÉRIO PARA A POLÍCIA CIVIL

A delegada da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, Marineide Pires afirmou que durante seus quase 20 anos na polícia, nunca investigou situação semelhante a do monitor do conjunto penal de Barreiras, Josenildo Brandão Paislandin, 34 anos, encontrado morto na tarde de quarta-feira (30), na zona rural do município, região da localidade de Barroca, próximo ao povoado de Catinho do Senhor dos Aflitos.

O major PM César Elpídio, diretor do conjunto penal, esteve em reunião com a delegada do DH na manhã desta quinta-feira (01), onde declarou ter trocado importantes informações, que podem ajudar na elucidação da morte misteriosa.  Ressalta que comunicou imediatamente o caso à Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), a qual possui um grupo de segurança institucional, que está acompanhando as investigações e desenvolvendo um trabalho paralelo de apoio a Polícia Civil.

Ao ser encontrado morto, o agente estava trajando uniforme da empresa, óculos, se encontrava algemado com as mãos para trás, com uma corda amarrada ao pescoço e pendurado em uma árvore. No local, a equipe de investigação encontrou uma garrafa, provavelmente de aguardente.

O blog Alô Alô Salomão entrevistou a delegada Marineide Pires e o diretor do presídio sobre o assunto em investigação.

Repórter – Dr.ª Marineide, a pergunta que fazem na cidade e em redes sociais é a seguinte: “Foi suicídio ou homicídio”? O que a Polícia Civil tem de informações a respeito do caso?

– Então, nós tivemos a informação desse corpo, ontem por volta de 16 horas. A gente se deslocou ao local junto com o DPT, a Polícia Militar, e quando chegamos lá nos deparamos com essa cena de um corpo na árvore, ou seja, enforcado, algemado para trás, usando óculos, todo de roupa, inclusive blusão, havia uma sacola de plástico com vidro de supostamente bebida, pendurada na árvore e dentro da roça do pai, né? Ao lado de um barraco, que o pai fica quando vai à roça. Porque segundo o pai, vai lá todos os dias – e logo atrás havia o veículo da vítima. Então, a vítima chegou de veículo no local. O veículo estava trancado, ele estava com a chave do veículo e o celular no bolso. Então nos deparamos com essa cena.

A principio não podemos dizer, que se trata de suicídio ou se trata de homicídio, porque até mesmo a equipe de investigação está dividida.  Porque nós temos policiais que vão fazer 20 anos de polícia, eu vou fazer 20 anos de polícia, já me deparei com várias cenas de crimes de suicídios por enforcamento, mas em relação a esse tipo eu nunca vi e para nós é uma situação atípica, mas estamos trabalhando as duas linhas de investigação, que é homicídio ou suicídio. Então, a partir de agora nós estamos já ouvindo os parentes da vítima, vamos buscar informações a respeito da vida pregressa dessa vítima, saber se tinha algum problema com alguém ou se tinha algum problema, se estava passando por algum problema psiquiátrico, alguma depressão, então isso tudo vai ser levantado através de familiares da vítima.

Repórter – Tanto para a suposição de suicídio, quanto para a de homicídio a senhora falou que há divergência doutora. Como explica isso?

–  Exatamente, porque pra suicídio, veja bem, a pessoa quando se enforca, geralmente no Impacto, quando desce o corpo acontece o deslocamento da coluna cervical, então, logo a língua é projetada para fora e sempre acredito que em todos os casos que a gente já viu, em relação até mesmo a práticas forenses, estudos forenses, a gente vê que a vítima defeca, urina, e não tinha nenhum sinal desse no corpo da vítima. Mas por outro lado, também não tinha sinais de violência física, ou seja, sinais de que a vítima possa ter lutado, não tinha sinais de defesa no corpo da vítima, não tinha sinais de estrangulamento. Só mesmo sinal da marca da corda, que o perito examinou direitinho. Não tinha sinal de marca de tiro, nem de faca, nem de paulada. O corpo estava íntegro, em relação à lesão e a roupa toda limpa. Não tinha sujeira na roupa, nem de terra, nem de sangue, nem de nenhuma substância que possa também levar a suspeita de homicídio.

Repórter – O local do crime foi preservado doutora?

– Veja bem, segundo nós ficamos sabendo, nós fomos acionados por volta de 16 horas, mas o pai viu o corpo lá por volta de meio-dia. Porque segundo ele, vai todos os dias lá na roça. A área pertence a ele. Havia vários rastros, porque a vítima estava de coturno e havia outros rastros, entendeu? Mas só que o pai andou por ali, entendeu? Pisoteou ao redor do corpo. então a gente não tem como saber se esses rastros são do pai ou se de terceiros. Provavelmente outras pessoas tiveram lá também, porque quando nós chegamos, o pai ‘tava’ no povoado já esperando a polícia, então, segundo ele, outras pessoas também estavam sabendo, então provavelmente devem ter ido ao local.

O pai dele, a princípio não estava reconhecendo o corpo e falava que um homem tinha se enforcado em suas terras. Chegou outra pessoa e reconheceu como sendo um filho dele. A gente ficou até sem entender, mas depois ele explicou que havia visto o filho há três meses. Então, agora a gente vai investigar sobre a vida pregressa da vítima a relação dela com os familiares, se havia intriga, porque pelo que a gente já levantou no momento, parece que havia uma discordância familiar, entendeu? Mas a gente não pode dizer que isso tenha sido a causa da morte. A gente não pode afirmar.

Repórter – Doutora existe uma curiosidade, dizem que ele não estava na escala de trabalho do conjunto penal para a quarta-feira, mas morreu utilizando o uniforme da Socializa!

– Ele estava utilizando o uniforme, mas em relação à escala de trabalho nós ainda vamos levantar informações. Vamos conversar com o pessoal do trabalho dele e levantar informações a respeito da escala de trabalho, porque a gente já terminou o levantamento era à noite, então hoje cedo é que a gente vai dar início às investigações.

Repórter – É incomum doutora, na hipótese de suicídio, o fato dos óculos dele não terem caído com o impacto ao pular da árvore?

Então, a gente já levantou várias hipóteses, né? Pode cair, pode não cair. De repente os óculos podiam ser apertados, então assim é difícil chegar a uma conclusão, se o óculo poderia cair ou não cair com o impacto. Então a gente também não sabe, porque de repente ele podia ter sentado na árvore antes. É uma investigação criteriosa que a gente vai fazer para desvendar esse mistério.

Repórter – Sabemos da importância das investigações do DPT. Existe previsão de resultado de laudos da polícia técnica?

– O trabalho da polícia científica é de relevância nesse caso como em todos os casos, né? Então, assim, tem muitos quesitos que eu vou precisar também elaborar para os peritos e médico legista, pra gente chegar a uma conclusão, entendeu? E então provavelmente deve demorar um pouquinho, porque nos casos comuns, já demora um pouco, então nesse caso, talvez se tiver que fazer alguma perícia fora, em Salvador, então provavelmente demore um pouco.

Major Elpídio

Repórter – Qual o posicionamento da direção do conjunto penal diante desse fato e gostaríamos de saber se o senhor também está tendo a mesma percepção de que se trata de uma situação confusa para investigar ?

– A gente tá dando suporte à família, né? Cuidando daqueles trâmites, que são pertinentes a questão.

Ele era um servidor que estava prestando serviços lá conosco há uns quatro meses, não tinha muito tempo, e a gente teve aqui agora, estamos saindo aqui do DHPP, soubemos que vai ser feita a autópsia e o caso já está sendo investigado pela delegacia de homicídios. A gente acredita e confia no trabalho da DH, tive agora essa reunião com a doutora, vamos acompanhar as investigações e vamos fornecer algumas informações. Ela nos solicitou algumas coisas e nós vamos fornecer. Estamos aguardando, acompanhando e vamos verificar como é que vai ficar essa situação.

Repórter – Como era a escala dele lá no conjunto Major ?

– A escala deles é de 12 horas. Ele trabalhou na terça e trabalharia novamente nesta quinta-feira. A escala é 12 por 36. O grupo dele está trabalhando hoje na unidade das 07 às 19 horas.

Repórter – Porque foi muito estranho o fato dele ter sido encontrado ali utilizando o uniforme do presídio?

Exato. Há essa situação também, existem essas peculiaridades. Inclusive ele foi encontrado dentro da propriedade da família, do pai dele. Então essas situações assim já estão investigando e na medida em que forem solicitando Informações a unidade vai fornecendo.

Repórter – Alguma notícia a respeito de mudança de comportamento dele no trabalho nesses últimos dias?

– Não, não há nenhum registro na unidade. Estava desenvolvendo o trabalho dele sem nenhuma alteração, nenhuma registro de nada, até porque nós temos serviços internos que amparam o funcionário, né? O serviço de saúde e psicologia e não há registro nenhum.

Repórter – Qualquer funcionário tendo necessidade de uma assistência psicológica lá vocês têm profissionais à disposição?

Tanto é que agora Já estamos nos deslocando para dar amparo à família dele. Tivemos ontem à noite lá na casa da genitora, que ele morava com a mãe, e a gente está deslocando todo esse aparato para dar amparo à família com psicólogo e assistência social.

Repórter – O que a delegada da divisão de Homicídio fala sobre o caso?

– Apenas trocamos algumas informações e a equipe aqui já está trabalhando. Já comuniquei o fato ontem mesmo à secretaria de Administração Penitenciária. Tanto que o nosso superintendente de gestão prisional já está ciente e o Grupo de Segurança Institucional (GSI) da SEAP, que está trabalhando paralelo com a Polícia Civil para acompanhar as investigações.

Fotos de arquivo

Alô Alô Salomão

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