Agiota é preso por extorsão e ameaça

Acusado de ameaçar de mortes familiares de pessoas que pediam dinheiro emprestado e tinham dificuldades para pagar, Ronaldo Nascimento Cerqueira foi preso, acusado de agiotagem e extorsão pelo Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), anunciou o delegado Adailton Adan, responsável pelo caso, nesta sexta-feira (28). O irmão dele, Tarcísio Nascimento Cerqueira, que se passava por policial e faz parte do esquema, permanece sendo investigado.

Denunciados ao Ministério Público (MP), que encaminhou a investigação à Polícia Civil, os irmãos Ronaldo e Tarcísio Nascimento Cerqueira foram conduzidos ao DCCP, na quarta-feira (26), para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de vítimas que pesam contra eles. Os dois são acusados de ameaçar queimar parentes diante do devedor, caso não recebam a dívida, que chega a ter a cobrança diária de 10 por cento de juros sobre o que está atrasado. O dinheiro é emprestado a juros de 30%.
De acordo com o delegado, a prática seria recorrente a todos os “clientes”, residentes no bairro do Engenho Velho da Federação, base de operação dos irmãos, que pareciam não ter limites. Tarcísio, que se apresentava como policial, e o irmão já haviam sido denunciados por uma dona de casa na 7ª Delegacia Territorial (DT/Rio Vermelho). Ela explicou, por exemplo, que em dezembro fez um empréstimo de R$ 3,250 mil com os irmãos e, em seis meses, a dívida triplicou, chegando a R$ 10 mil.
INTIMAÇÃO E MAIS AMEAÇAS

Ronaldo e Tarcísio foram intimados pela 7ª DT, compareceram à unidade e acabaram assinando um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), dando a impressão de que o caso estaria encerrado. Os irmãos, porém, continuaram com as ameaças, que, segundo a vítima, tornaram-se mais assustadoras, o que a levou a procurar o MP, que, por meio do Grupo Especial para o Controle Externo de Atividade Policial (Gacep), pediu providências à PC.

As investigações, logo de saída, revelaram que Tarcísio não era e nem nunca foi policial, sendo apenas um segurança, já aposentado por invalidez. Testemunhas ouvidas disseram que a prática de agiotagem se estendia a outros parentes dos irmãos e que muitos moradores do Engenho Velho, que se comprometeram com eles, acabaram se mudando do bairro, com medo das ameaças de mortes e outras represálias.

O delegado Adailton Adan ainda pretende ouvir outras testemunhas dos crimes praticados pelos irmãos, os quais terão as prisões preventivas solicitadas à Justiça. “O caso traz à tona apenas um exemplo do que os agiotas são capazes de fazer. As pessoas, por maiores que sejam as dificuldades, deveriam evitar recorrer a esta solução, pois elas nunca terão fim e podem ser trágicas”, advertiu o delegado.

ascom SSPBA

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