Estudo prevê que Distrito de Rosário, na Bahia, se transforme em nova e promissora cidade

Localizada no extremo Oeste da Bahia na divisa com Goiás, localidade pertencente a Correntina foi apontada por pesquisa da UNB como um futuro município, que surgirá do forte desenvolvimento do agronegócio da região

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB) com o objetivo de  entender os processos de surgimento de cidades, resultantes do avanço da fronteira econômica no interior do Brasil, apontou os distritos baianos de Rosário – que pertence ao município de Correntina – e Roda Velha – que faz parte da cidade de São Desidério – como duas cidades que irão surgir em breve graças ao desenvolvimento agrícola do oeste baiano. O estudo  foi comandado pelo professor Vicente Barcellos, que é arquiteto e urbanista, mestre em Planejamento Urbano, doutor em Estruturas Urbanas e Ambientais.

Em um artigo científico sobre o tema, Barcellos já destacava os dois distritos baianos, dentre outros  milhares espalhados pelo Brasil, como localidades que surgiam dos novos e intensos fluxos econômicos e sociais resultantes do avanço da produção de grãos nos domínios do cerrado. “Os  dois povoados situam-se no oeste da Bahia, em uma região que parecia até pouco tempo esquecida pelos fluxos econômicos e sociais, mas, nas últimas décadas do século 20, inseriu-se nos processos de uma moderna e tecnificada produção agrícola. Foram esses processos que deram uma nova dinâmica à urbanização da região”, destaca Barcellos em seu artigo.

O estudo  comprova o que investidores do agronegócio e do mercado imobiliário já haviam percebido: as semelhanças do crescimento e desenvolvimento de Rosário com o município baiano Luiz Eduardo Magalhães, que há alguns anos era distrito de Barreiras.

Segundo a pesquisa, foi o dinamismo econômico que fez com que um  modesto povoado, ao redor de um posto de combustíveis na BR-020, com o nome de Mimoso do Oeste se transformasse em município e  adotasse o nome de Luiz Eduardo Magalhães – nome de um finado senador da Bahia.

O estudo compara também os dois distritos do Oeste da Bahia com cidades que surgiram na década de 1980 no Mato Grosso, também oriundas da crescimento do desenvolvimento agrícola da região.  São cidades de forte vocação agrícola, que receberam muitos migrantes dos estados do Rio Grande do Sul do País, em especial do Paraná, para a produção de grãos.

Rosário

No artigo de Vicente Barcellos, Rosário é apontado como um distrito que, inevitavelmente, irá se transformar numa cidade, em virtude do forte desenvolvimento econômico gerado pela produção de milho, soja, algodão e outros grãos. Outros aspectos que ajudam a fomentar esse crescimento urbano, tal como ocorreu com o município de Luiz Eduardo Magalhães, fora a origem de um posto de gasolina usado como ponto de parada e a ausência de cidades às margens da BR-020, em longos trechos.

O estudo enfatiza que a localização privilegiada de Rosário,às margens da rodovia, na divisa entre Goiás e Bahia,  favorece que o distrito se transporte em um polo de suporte para quem passa pela BR-020. Segundo a pesquisa da UNB,  a cidade goiana de Posse, que fica bem na divisa com a Bahia, embora esteja próxima do povoado, está distante da rodovia e, portanto, todo o fluxo de veículos pesados passa por Rosário.

Loteamentos

A pesquisa aponta ainda que loteamentos começaram a surgir no distrito em 2009 e que isso deve impulsionar o desenvolvimento habitacional no distrito, que ainda perde moradores para a goiana Posse, graças a falta de investimento de Correntina em seu distrito, que apesar de pertencer à cidade fica a 200 quilômetros de sua sede. “O principal entrave ao desenvolvimento do povoado de Vila Rosário, em grande parte se deve à sua não admissão na condição de distrito da cidade de Correntina. Essa tentativa de ignorar essa situação tem conduzido a uma quase total ausência no município, no sentido de organizar seu desenvolvimento e resolver as mais simples carências, como drenagem pluvial e pavimentação das principais ruas”,  destaca o professor Barcellos no estudo.

por Fernanda Cappellesso

 

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