Deputados querem que forró se transforme em patrimônio imaterial

Quando se fala em forró logo vem à cabeça o ritmo e a dança contagiantes, mas ele é muito mais que isso: comidas, roupas, adereços e gírias também compõem essa cultura legitimamente nordestina. O forró é um estilo de vida. Com o objetivo de tornar essa cultura patrimônio imaterial brasileiro, a deputada Fátima Nunes (PT) em parceria com os deputados estaduais Aderbal Caldas (PP), Bira Corôa (PT) e Zó (PCdoB) promoveram na Assembleia Legislativa da Bahia o seminário “Em Defesa das Matrizes do Forró como Patrimônio Imaterial”. O evento, que aconteceu no Auditório Jornalista Jorge Calmon, contou com as presenças de parlamentares, músicos, produtores, entre outros interessados no tema.
Segundo Fátima Nunes, forrozeiros de todo Brasil, principalmente do Nordeste, vêm se organizando em colegiados para debater a ideia de registrar o forró como patrimônio imaterial do Brasil e, após a chancela nacional, buscar o reconhecimento internacional. Ela contou que foi procurada pelo colegiado que está reunindo os forrozeiros baianos para que o Legislativo participasse dessa luta. A petista contou ainda que conversando com outros deputados foi formada uma espécie de mini-frente parlamentar em defesa do forró. “Decidimos fazer esse primeiro encontro para debater que ações precisam ser tomadas em defesa dessa que é nossa referência cultural”, afirmou a deputada.
A presidente do colegiado baiano do Fórum Nacional do Forró, Rozânia Macedo, contou que 14 estados participam do movimento e ressaltou que o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é tecnicamente rigoroso no processo de reconhecimento e registro do patrimônio imaterial e que os forrozeiros contam com o apoio das autoridades que se comprometeram com essa causa para que a cultura nordestina saia vencedora. “O forró une brancos e pretos, pobres e ricos, faz com que nos sintamos brasileiros. Reconhecer o forró como patrimônio imaterial se confunde com reconhecer o povo brasileiro, a expressão dos seus desejos, sua alegria e sua dor”, afirmou Rozânia Macedo.
O deputado Zó demonstou sua veia artística ao cantar, acompanhado de um trio, a música Petrolina Juazeiro canção de Jorginho de Altinho, imortalizada pelo ícone da música popular brasileira, Luiz Gonzaga. “Eu, como representante parlamentar do povo baiano, espero ser mais um braço na luta dos artistas por aquilo que mais representa o nordestino, que é o forró. Esperamos ser um elo entre o poder público e os músicos que resistem, às vezes, com dificuldades, fazendo a música verdadeiramente nordestina”, afirmou.
O diretor de patrimônio imaterial do Iphan, Hermano Queiroz, afirmou que por ser nordestino, baiano e chapadeiro tem especial apreço por esse projeto e explicou que diferente do patrimônio material, que tem o tombamento como instrumento de ação dando limite de uso à propriedade privada em benefício da preservação da memória, o registro do patrimônio imaterial é voltado para a valorização do ser humano, de seus modos de criar, fazer e viver. Ele contou que é um processo complexo que pode levar de 5 a 8 anos e que os forrozeiros precisam ser os protagonistas da ação. “São vocês que vão dizer o que é forró, onde está localizado, que instrumentos são utilizados provando que ele atravessou o tempo com determinadas características que precisam ser preservadas e salvaguardadas por políticas públicas”, explicou Queiroz.
O deputado Aderbal Caldas reiterou que o forró faz parte da identidade nordestina e que é preciso que ele tenha mais destaque, projetando assim o Nordeste para o mundo. “É uma música alegre, que mexe com a gente. Ninguém em um salão de forró fica parado. Ele é o retrato do nordestino, um povo que faz poesia do seu próprio sofrimento. Estou nessa importante luta de valorização do forró com a alma e o coração”, afirmou o deputado. Já Bira Corôa salientou que os festejos de São João na Bahia levam praticamente dois meses e movimentam 387 municípios. “O nordestino não vive sem esse ritmo contagiante marcado pela zabumba o triângulo e a sanfona”, disse Bira Corôa.
O músico Aldemário Coelho agradeceu a Assembleia Legislativa pela iniciativa de promover o encontro e disse que está sendo feito um trabalho cuidadoso pelos colegiados dos 15 estados envolvidos no projeto para que os dados recolhidos tenham consistência para o processo de reconhecimento pelo Iphan. “Nossa luta tem um grande significado para a valorização da cultura nordestina”, completou o músico.
Participaram também do encontro a senadora Lídice da Mata, o deputado Zé Neto, além de dezenas de forrozeiros e grupos musicais, como Chico Leite, Antonio José, Sarau do Badá, Val Macambira, Del Feliz, Big Brasil, Raízes Forró Clube entre outros.

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